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Resto 283

" Perder tempo comporta uma estética. Há, para os subtis nas sensações, um formulário da inércia que inclui receitas para todas as formas de lucidez. A estratégica com que se luta com a noção das conveniências sociais, com os impulsos dos instintos, com as solicitações do sentimento exige um estudo que qualquer mero esteta não suporta fazer. A uma acurada etiologia dos escrúpulos deve seguir-se uma diagnose irónica das subservivências à normalidade. Há a cultivar, também, a agilidade contra as instrusões da vida; um cuidado...deve couraçar-nos contra sentir as opiniões alheias, e uma mole indiferença encamar-nos a alma contra os golpes surdos da coexistência com os outros."

Resto 226

" Pensar, ainda assim, é agir. Só no devaneio absoluto, onde nada de activo intervém, onde por fim até a nossa consciência de nós mesmos se atola num lodo - só aí, nesse morno e húmido não-ser, a abdicação da acção competentemente se atinge.
Não querer compreender, não analisar ... Ver-se como à natureza; olhar para as suas impressões como para um campo - a sabedoria é isto."

Resto 194

" Publicar-se - socialização de si próprio. Que ignóbil necessidade!
Mas ainda assim que afastada de um acto - o editor ganha, o tipógrafo produz. O mérito na incoerência ao menos.
Uma das preocupações maiores dos homens, atingida a idade lúcida, é talhar-se, agente e pensante, à imagem e semelhança do seu ideal. Posto que nenhum ideal encarna tanto como a inércia toda a lógica da nossa aristocracia de alma ante as ruidosidades e...exteriores modernas, o Inerte, o Inactivo, deve ser o nosso ideal. Fútil? Talvez. Mas isso só procupará como um mal aqueles para quem a futilidade é um atractivo."