"Numa cela ou num deserto está o infinito.Numa pedra dorme-se cósmicamente."*
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Resto 148/b
" São sempre cataclismos do cosmos as grandes angústias da nossa alma... Em toda a alma que sente chega o dia em que o Destino nela representa um apócalipse de agústia - um entornar dos céus e dos mundos todos sobre a sua desconsolação.
Sentir-se superior e ver-se tratado pelo Destino como inferior aos ínfimos - quem pode vangloriar-se de estar homem em tal situação?
Se um dia pudesse adquirir um rasgo tão grande de expressão, que concentrasse toda a arte em mim, escreveria uma apoteose do sono.Não sei de prazer maior, em toda a minha vida, que poder dormir. O apagamento integral da vida e da alma, o afastamento completo de tudo quanto é seres e gente, a noite sem memória nem ilusão, o não ter passado nem futuro..."
Resto 80/b
"Qualquer coisa, conforme se considera, é um assombro ou um estorvo,um tudo ou nada, um caminho ou uma preocupação. Considerá-la cada vez de um modo diferente é renová-la, multiplicá-la por si mesma. É por isso que o espírito contemplativo que nunca saiu da sua aldeia tem contudo à sua ordem o universo inteiro. Numa cela ou num deserto está o infinito.Numa pedra dorme-se cósmicamente."
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